segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Corda, cordão.

O órgão humano com maior poder de regeneração não é o fígado, nem a pele, é o cordão umbilical.

São quatro, penso que sejam quatro. 
Quatro cortes.


O primeiro, do apêndice de união física.
O segundo é um primeiro: o primeiro dia de aula. 
O terceiro, a embarcação no mundo adulto.

O último e mais doloroso: a ideologia. 

Depois de iniciar a cisão, não há maneira de voltar atrás. Qualquer tentativa de religamento pode gerar consequências danosas para ambos os lados. 

Dilacerar as expectativas, ou sucumbir a elas são as únicas alternativas de caminho. 

O cordão umbilical é o órgão humano com maior poder de regeneração. 

Abraça, alimenta, aperta e silencia. 

Reclama uma experiência que não tem, afinal, viver mais não significa ter mais experiência. Ler mais, não significa conhecer mais pontos de vista sobre o mesmo assunto. 
O cordão estrangula a qualidade, insiste que a quantidade é a força de seu conhecimento. 

Cansado de lutar contra, e sabendo que a cada golpe, o cordão sangra e chora, vence o silêncio.

Esse silêncio que não é paz, é hemorragia interna.



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