segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Onde vivem os monstros.

Falo de um lugar estranho. Estranho e conhecido, de dentro e de fora. Com um pé na cova e o outro a quilometros dali. Falo de dentro do mundo, olhando de fora. Um fora tomado de dentro, que dialoga com o que faz parte e desconhece o que é completamente selvagem, não tocado. De um lugar que não conclui. Que se vê preso por usar argumentos de dentro para justificar estar fora. O sonho de estar fora é transformado em pesadelo pela probabilidade de nunca mais ser aceito dentro. A ameaça é terrorista. Afasta e prende, joga ioiô com a cabeça. A minha, a sua, a nossa. O desejo de cortar a corda fica suspenso, aqueles que rolaram para longe nunca mais foram vistos. E os que não são vistos não mais existem. Corta ou não corta?
 
 
 
 
 
Lugar de gente feliz.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

pequeno outro

Quando algo passa despercebido, nós culpamos a correria. Quando alguém passa despercebido, a vida perdeu pelo menos metade de seu valor. É difícil acreditar que o ser humano tenha chegado ao ponto de não se reconhecer no outro. Essa diferenciação falsa dos transeuntes, imersos na marcha fúnebre das escadas e elevadores, assusta os que estão sentados, comendo pipoca e assistindo ao filme horroroso sobre os homens que existiam sozinhos no mundo. O horror vai além. Sozinhos e desapercebidos, crentes na conexão. Com uma fé inabalável. A sinopse não poderia ser um texto mais nauseabundo: os verdadeiros fiéis radicais do potencial redentor da comunicação virtual finalmente alcançam a salvação. Estão nos braços de seu deus. Um deus que protege de danos físicos, afasta das dores do coração e os transforma nos sozinhos-contentes-abobados mais realizados do Universo. Finalmente podem gozar da comunicação sem limites! Estão livres dos toque, dos odores, dos sons e dos sabores que poderiam os atacar. Viva a distância segura. 





Let´s just show them how happy we are.





Testando 1, 2, 3..


A primeira tentativa de iniciar qualquer forma de reflexão e, por assim dizer, jogá-la no mundo, amedronta. Por anos, a vida segue seu rumo sem repensar-se, de forma que os dias passam e não são lembrados. Os grandes feitos não se realizam, as pequenas ações, por maiores rumores que possam causar, ficam no banho antes de dormir. Ainda assim, não valeria a pena tentar? De alguma forma, o curso dos acontecimentos impede a reflexão, mas a sensação de impedimento, quando sentida, é já um início. É olhar desconfiado,  perceber-se enganado. Quando a manipulação pode ser percebida, a sensação de insulto é inevitável. É um  tapa na cara disfarçado de carinho. Uma provocação. 



Que provoque então.