sexta-feira, 9 de novembro de 2012

pequeno outro

Quando algo passa despercebido, nós culpamos a correria. Quando alguém passa despercebido, a vida perdeu pelo menos metade de seu valor. É difícil acreditar que o ser humano tenha chegado ao ponto de não se reconhecer no outro. Essa diferenciação falsa dos transeuntes, imersos na marcha fúnebre das escadas e elevadores, assusta os que estão sentados, comendo pipoca e assistindo ao filme horroroso sobre os homens que existiam sozinhos no mundo. O horror vai além. Sozinhos e desapercebidos, crentes na conexão. Com uma fé inabalável. A sinopse não poderia ser um texto mais nauseabundo: os verdadeiros fiéis radicais do potencial redentor da comunicação virtual finalmente alcançam a salvação. Estão nos braços de seu deus. Um deus que protege de danos físicos, afasta das dores do coração e os transforma nos sozinhos-contentes-abobados mais realizados do Universo. Finalmente podem gozar da comunicação sem limites! Estão livres dos toque, dos odores, dos sons e dos sabores que poderiam os atacar. Viva a distância segura. 





Let´s just show them how happy we are.





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